domingo, 10 de agosto de 2014

Arrivismo e divergências

Elzi Nascimento e Elzita Melo Quinta

A Doutrina Espírita em sua tríplice expressão: ciência, filosofia e religião desafia seus adeptos a uma constante melhoria interior e faz de seus postulados indicação segura  para essa transformação. Aliás,  a finalidade essencial do Espiritismo são as consequências morais.

Engana-se aquele que pensa que o fenômeno  mediúnico seja o objetivo principal desta fonte de amor e luz, codificada por Allan Kardec, no século XIX.

Quem, como nós, privou da convivência e bebeu na fonte pura das orientações espirituais fiéis  e  seguras do querido e saudoso professor Múcio de Melo Álvares, aprendeu a diferenciar a propriedade da fenomenologia  espírita da importância de seus postulados consoladores.

Dizia o insigne amigo, baseado em  máxima do Espírito André Luiz (o autor do Best-seller Nosso Lar /psicografado por Chico Xavier – que deu origem ao filme do mesmo nome): “O fenômeno é a alma da doutrina, mas a Doutrina é a alma do fenômeno”. O que mostra, de forma irrefutável, que embora a Codificação do Espiritismo tenha se baseado na comunicação com a outra dimensão da vida, que gerou seu corpo científico, filosófico e doutrinário, o cerne desta compilação repousa no estudo sério, na lógica da análise sem preconceitos e na religiosidade que transforma a criatura para o bem, o amor e a caridade.  A caridade é realmente o “milagre transformador do Espiritismo”.

Caridade é, segundo Allan Kardec, a máxima dominante dos postulados Espíritas. E é ele mesmo quem afirma, em discurso proferido à Sociedade Espírita de Lion, em 1862: “O Espiritismo tem por divisa: Fora da caridade não há salvação, o que significa dizer: Fora da caridade não há verdadeiros espíritas. Concito-vos a inscrever, doravante, esta dupla máxima em vossa bandeira, porque ela resume ao mesmo tempo a finalidade do Espiritismo e o dever que ele impõe.” E esta caridade não é só o auxílio da esmola e nem da assistência social, é a benevolência vivenciada em pensamentos e atos; é a antítese do egoísmo, a sublimação da personalidade”, na sábia orientação do mestre de Lion.

Convicto da necessidade da modificação do homem para as renovações espirituais, que se anunciam para o Planeta,  foi enfático: “Tais são, caros irmãos espíritas, os conselhos que tenho a vos dar. A confiança que houvestes por bem me conceder é uma garantia de que eles produzirão bons frutos. Os bons Espíritos que vos assistem vos dizem todos os dias, as mesmas coisas, mas julguei um dever apresentá-las em conjunto, para melhor ressaltar as suas consequências. Venho, pois, em nome deles, lembrar-vos a prática da grande lei de amor e de fraternidade que em breve deverá reger o mundo e nele fazer reinarem a paz e a concórdia, sob o estandarte da caridade para com todos,  sem acepção de seitas, de castas  nem de cores.”

Todas as religiões são importantes e todas têm o seu papel na condução da humanidade. Resta-nos despertar para isto, pois como afirmava Léon Denis, também no século XIX: “Toda religião é boa desde que faça o homem bom”. Portanto, não se concebe e muito menos se entende, no universo Espírita, movimentações estranhas que buscam induções ao   arrivismo  e  divergências. 

(Elzi Nascimento, psicóloga clínica e escritora / Elzita Melo Quinta, pedagoga – especialista em Educação e escritora. São responsáveis pelo Blog Espírita: luzesdoconsolador.com. Elas escrevem  no DM aos domingos - E-mail: iopta@iopta.com.br)

Publicado em 02 de agosto de 2014 no portal Diário da Manhã.

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