terça-feira, 16 de agosto de 2011

Um ‘alô’ pode evitar o suicídio

Serviço criado por espíritas conta com 33 voluntários que se dispõem a conversar sobre as angústias

Nos momentos de desespero, às vezes, conversar e encontrar um bom ouvido é tudo o que se precisa. Foi pensando exatamente assim que nasceu o Diskardec, em 1984. "Somos principalmente um serviço de apoio fraterno por telefone", explica Aloysio José Veloso Teixeira, relações públicas da instituição.

Segundo Aloysio, apesar do Diskardec ter sido criada por espíritas - daí o nome em homenagem ao decodificador do espiritismo, Alan Kardec - isso não significa que o atendimento é exclusivo para pessoas que acreditam na doutrina. "Atendemos a todos. Basta querer conversas, que estamos à disposição".

Aloysio diz que a função não é disseminar o espiritismo. "Não somos doutrinadores. Em princípio, aprendemos a ouvir o próximo". O intuito, segundo ele, é evitar que alguma iniciativa desesperada possa resultar em tragédia. "Essencialmente o nosso trabalho é prevenir o suicídio. E, pelo que sabemos, tivemos sucesso nos atendimentos".

Serviço

O Diskardec conta com 33 voluntários para atendimento. O número não é suficiente. "O ideal é que tivéssemos mais pessoas. Não conseguimos ainda atender no horário que temos como meta, que é das 8h às 22h", diz Aloysio.

Quem liga não precisa se identificar, nem precisa ter um problema específico para ser atendido. "A maioria está desesperada, mas já atendi ligação de uma mulher que queria apenas dizer que a neta tinha nascido. Ela queria compartilhar essa notícia, tamanha era sua felicidade", conta a voluntária Aldice Alves Fontes Teixeira. Para falar no Diskardec é só ligar: 3630-3232.

Quem se mata sofre, diz a doutrina

Para o espiritismo, o suicídio é uma vã tentativa de fuga dos problemas da vida. A doutrina diz que um suicida não consegue se livrar do que tanto lhe afligia em vida, como mostra o trecho do Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. "Que ele faça o bem e estará mais seguro de alcançá-la [felicidade], porque, daquela forma [suicídio], retarda a sua entrada num mundo melhor e ele mesmo pedirá para vir completar essa vida que interrompeu por uma falsa ideia". Os espíritas acreditam ainda que, assim que ficam desencarnados, os suicidas passam por um espaço de expiação. E, só então, são resgatados. "São como os outros espíritos. Mas eles sofrem por mais tempo. Uns dizem que eles vão para o ‘Umbral’, outros, para o ‘Vale dos Suicidas’. Mas o fato é que eles permanecem por muito tempo sentido as dores do que causou a morte", afirma o jornalista e espírita Murillo Rodrigues Alves. Segundo Murillo, o "Vale dos Suicídas" é uma expressão que surgiu com o livro "Memórias de um Suicida". A obra, psicografada por Yvone Pereira, descreve o lugar como sendo "região do Mundo Invisível cujo desolador panorama é composto por vales profundos".

Fonte: Jornal A Cidade Online

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