quinta-feira, 18 de agosto de 2011

O DEVER

D.Villela

A palavra dever possui várias acepções, todas elas ligadas à ideia da obrigação, legal ou apenas moral, de agir de uma determinada forma (honrar compromissos assumidos, ser grato, pontual, etc.).

Todos sabemos que o não cumprimento de prescrições legais ou administrativas acarreta, normalmente, sanções diversas, havendo pessoas que somente agem com correção quando fiscalizadas mas que são negligentes e omissas quando têm a certeza de que nada lhes acontecerá em decorrência de tais faltas. Essas pessoas não alcançaram ainda a noção do dever, agindo, fora de seu círculo pessoal, apenas em função do interesse ou do receio de punição.

O dever é uma conquista da razão, pois é ela que nos leva a reconhecer a necessidade de aportarmos nossa contribuição – em termos de correção e colaboração – à vida social, da qual dependemos todos, a fim de que esta se sustente e aprimore.

Fora da esfera profissional e das obrigações associadas ao exercício da cidadania, ou seja, fora do campo sujeito a regramento legal, a obediência ao dever constitui, por vezes, desafio difícil, pois se opõe aos interesses materiais ou afetivos que ainda exercem forte atração sobre nós. Por isso, o fiel cumprimento dos deveres constitui atestado de amadurecimento espiritual, pois depende de discernimento e determinação, dois recursos inerentes ao espírito mas que precisam ser desenvolvidos e fortalecidos por meio de exercitação perseverante, devendo lembrar-se, naturalmente, que músculos vigorosos resultantes de exercícios físicos tornarse-ão flácidos, inexoravelmente, com o desgaste do corpo, ao passo que a vontade robusta e o julgamento objetivo e equilibrado constituem patrimônios definitivos do espírito imortal, cuja aquisição é amplamente favorecida pelo sentimento religioso.

É claro que os benefícios da obediência ao dever são facilmente compreensíveis a qualquer pessoa, pois ninguém discorda quanto ao fato de que colaboração e honestidade são fatores que beneficiam o relacionamento individual e coletivo, mas esta percepção se amplia significativamente quando esse relacionamento ultrapassa o plano material passando a incluir a nossa dimensão espiritual e o ordenamento divino da vida. É verdade que os próprios religiosos, no passado, tentaram dar aos códigos divinos o caráter coercitivo das legislações humanas, mas já há algum tempo, sobretudo nas correntesreencarnacionistas, se reconhece a sua natureza essencialmente educativa e amorosa.

Para a individualidade interessada no bem, o sentimento do dever se apresenta espontaneamente, sendo oportuno, a esse respeito, reproduzir a orientação de um benfeitor espiritual quanto aos limites a serem então observados: “Onde começa o dever? Onde termina? O dever principia, para cada um de vós, exatamente no ponto em que ameaçais a felicidade ou a tranquilidade do vosso próximo; acaba no limite que não desejais ninguém transponha com relação a vós.”

“O Evangelho segundo o Espiritismo” (capítulo 17, item 7).

Fonte: SEI - Agosto 2011 – nº 2203

Nenhum comentário: