Depois de Bezerra de Menezes, mais uma produção cearense sobe a serra com milhões no bolso e o espiritismo na cabeça. As mães de Chico Xavier deve chegar em dezembro aos cinemas
As chuvas em Guaramiranga no fim de semana passado atrapalharam as filmagens de As mães de Chico Xavier. O roteiro de gravações previa cenas externas, como a de um Mercedes conversível rodando pela serra de Baturité. A luz foi-se embora e o circo desarmado por uma produção histérica que parecia organizar o fim do mundo, em contraste com a tranquilidade dos diretores, Glauber Filho e Halder Gomes.
Os dois há mais de uma semana coordenam uma rotina puxada de gravações que começa logo no início da manhã e só acaba na boca da noite, ritmo que deve continuar até meados de maio e passar ainda por Pacatuba, Fortaleza e Pedro Leopoldo, Minas Gerais, cidade natal do médium. As histórias de três mães angustiadas que só conseguem consolo depois do contato com Chico Xavier devem chegar às salas de cinema em dezembro.
Depois de Bezerra de Menezes & O diário de um espírito, Glauber Filho sobe novamente a serra para gravar uma produção espírita, no que já ganha os contornos de um novo filão do cinema brasileiro, principalmente com o sucesso de Chico Xavier, a biografia cinematográfica do médium dirigida por Daniel Filho que bateu o recorde de bilheteria no fim de semana de lançamento, sendo assistido por mais de 590 mil pessoas.
Com o orçamento de R$ 4 milhões, um terço do gasto em Chico Xavier, o filme é inspirado no livro Por trás do véu de Isis, do jornalista Marcel Souto Maior, também biógrafo do médium que teve a obra adaptada por Daniel Filho. Perguntado sobre a possível relação entre os dois filmes, Glauber responde: "O filme não se aproxima do que a gente está pensando para o nosso. Claro que vão relacionar, pensar que é uma continuação, mas isso não preocupa a gente".
As Mães... foi encomendado a cerca de um ano pela produtora Estação da Luz. A pedra já havia sido cantada logo após a finalização do filme sobre Bezerra de Menezes, quando o empresário Eduardo Girão avisou sobre as pretensões de lançar uma película no ano do centenário de nascimento de Chico Xavier. "Esse é um filme de produtor. Não me rotulo diretor. Sou um realizador. Gosto de contar histórias e encontrar o melhor tom que chegue ao público. Existia um nicho de mercado latente para essa temática através da literatura. Existe um público para esse tipo de filme. É um gênero que ainda terá muitas produções", diz Halder sobre a experiência de trabalhar sob encomenda.
"Os produtores não partem de um roteiro, partem de uma ideia. Existe uma liberdade nisso. No cinema autoral, você também tem outras limitações como a estrutura e o orçamento. Nessa caso, as negociações com a produção não interferiram na estética pensada", explica Glauber.
Os diretores buscaram trabalhar de forma distinta as três histórias, dando um tom mais impressionista à narrativa a personagem de Vanessa Gerbelli, mãe que sofre a perda do filho criança, ao passo que o expressionismo de Pablo Picasso e Seguei Eisenstein orienta a fotografia de Ruth, interpretada por Via Negromonte, uma mãe angustiada com um filho adolescente viciado e a arte pop de câmera na mão dá as cores de Lara (Tainá Muller), uma professora que enfrentará o dilema de uma gravidez não planejada. O elenco ainda conta com nomes como Herson Capri e Nelson Xavier, que encarna Chico Xavier mais uma vez, depois de impressionar no papel do médium no filme de Daniel Filho.
Notícia publicada hoje (22/04/10) no site O Povo Online.
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