Ocimar Barbosa | Foto : Jose Akim / AgoraVale
O Centro Espírita Caridade e Amor “André Luiz” de Pindamonhangaba comemora neste mês de setembro o seu Centenário. As comemorações festivas têm na programação palestras e outras festividades para comemorar os 100 anos do mais antigo centro espírita da cidade.
Dirigido por Marilda Vasconcelos, o centro conta com 54 trabalhadores e tem suas sessões sempre na segunda-feira, com casa cheia.
De acordo com ela, além dos espíritas, muitos que vêm são praticantes de outras religiões, mas se declaram simpatizantes da doutrina. “Nas segundas nós temos, a partir das 19h00, o início do atendimento fraterno, onde nós ouvimos as pessoas que têm alguma dificuldade, problema ou dúvida, e daí ela é encaminhada a um tratamento de passe magnético. A partir das 20h00, no salão, nós temos a abertura, a prece, uma leitura do Evangelho, uma preleção já predeterminada, e após nós temos os passes. É um evento aberto. Nós temos outras atividades na casa, mas são fechadas para os trabalhadores, são passes mais específicos. No sábado temos o estudo da doutrina espírita, também aberto ao público das 15h00 às 17h00. E no domingo, também aberto ao público nós temos o estudo do Evangelho, das 18h00 às 19h30.
A presidente define o Espiritismo em três fundamentos: Ciência, Religião e Filosofia. “Porque ela [a doutrina] te dá liberdade de escolha, liberdade de reflexão, de pensar, e faz parte de um contexto bem atual porque hoje tem gente que contesta, que pergunta, que quer saber. O Espiritismo supre bastante essa necessidade de conhecimento porque te supre a religião, supre a filosofia, e supre a ciência, e é uma constante busca.”, esclarece Marilda.
O início de tudo - A história da entidade teve início com dois personagens principais: Benjamin Bittencourt, comerciante da Rua Campos Salles e Alexandre Reis, caixeiro viajante que residia em Taubaté. A esposa de Bittencourt tinha uma doença grave que os médicos não conseguiam diagnosticar, e eis que um dia, a família recebe a visita do amigo Alexandre Reis.
“ O Alexandre ofereceu um trabalho de passes, vibrações e visitas ao lar, que existia na casa espírita onde ele trabalhava em Taubaté. Como Benjamin andava desolado com a situação, aceitou aquela oferta de ajuda. Tempos depois, a esposa de Bittencourt restabeleceu a saúde.”, conta David Ascenço, vice-presidente da casa espírita.
De acordo com Ascenço, Benjamin e outros companheiros já conheciam algumas obras do Espiritismo, codificada por Alan Kardec, e assim, por gratidão, reuniões começaram a ser programadas com a ideia futura de formação de uma casa espírita. Isso ocorreu no dia 2 de setembro de 1914, que é a data oficial de fundação da casa. “O interessante nessa história é que, um tempo depois, a filha do Dr.
Zuza Dantas da Gama teve também um problema de saúde, e o Benjamin indicou ao Zuza o mesmo tratamento que tinha dado à esposa. E aí, obteve a cura da filha do Zuza. A alegria do Zuza foi tão grande, que ele e alguns companheiros doaram para Benjamin o terreno aqui da Rua Gustavo de Godoy, que naquele tempo nem tinha esse nome porque aqui era uma várzea, ainda em fase de loteamento.”
Outrora estigmatizados como macumbeiros, feiticeiros ou curandeiros, a figura do médium ganhou novo contornos com a produção de novelas, documentários e filmes como “Nosso Lar” que revelam a doutrina espírita sob aspectos da sua principal missão que é a fraternidade. Para os diretores do Centro espírita Caridade e Amor “André Luiz”, hoje há maior compreensão diante das ocorrências que formam o ciclo do desenvolvimento humano.
Ao longo do tempo, a doutrina de Kardec enfrentou as dificuldades do preconceito, mas o Espiritismo continua em crescimento.
“Em determinadas reuniões que havia aqui no centro, o padre juntava a turma na igreja e vinham aqui para apedrejar , jogavam garrafas e falavam impropérios contra os espíritas. Hoje, a doutrina espírita já não é mais o bicho papão como era antigamente, até porque a sua própria divulgação, esses grandes médiuns que nós temos, ou que passaram por aqui, como Chico Xavier e Divaldo Pereira Franco ajudaram muito na divulgação da doutrina e as pessoas passaram a ter outra informação.”, concluiu David Ascenço.
De acordo com o IBGE, em 2000 havia no país 2,3 milhões de espíritas declarados, número que em 2010 chegou a 3,8 milhões.
Publicado no portal AgoraVale.com.br em 08 de setembro de 2014.

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