segunda-feira, 19 de julho de 2010

Deus não sobe em palanques políticos

Os adeptos do Espiritismo não precisam de representantes nos poderes Legislativo e Executivo do país para defenderem seus interesses. Isto porque Jesus, o nosso guia e modelo, jamais buscou o poder político para se proteger e divulgar os seus ensinamentos. Ele atendeu os interesses do Pai Celestial junto ao coração humano, sem necessidade de portarias ou decretos para ajudar. É por essa razão que os Espíritas, também, não necessitam de cargos eletivos na administração pública para cumprirem sua missão.

Agora, o Espírita, como todo e qualquer cidadão brasileiro, é livre para escolher o seu candidato e votar em quem quiser. É claro que, consciente da sua responsabilidade, ele por coerência não votará em candidatos que defendam o aborto, a pena de morte, a eutanásia ou a liberação das drogas, bem como, nos que são detentores do que vem sendo chamado de “ficha suja”.

Convém esclarecer que os Espíritas jamais formarão bancadas nos parlamentos, para não desvirtuarem a verdadeira finalidade do Espiritismo, que é a de promover a transformação moral da humanidade. Por isso mesmo, o seu programa é de ordem educativa e moral, desatrelado totalmente da política partidária, pois essa política, a nosso ver, não é de sua competência, ou de qualquer movimento religioso na Terra.

Alertamos, ainda, que não existem candidatos espíritas. Isso não significa que o Espírita não possa candidatar-se a cargo eletivo, mas ele não tem delegação para falar em nome do Movimento Espírita coordenado pela Federação Espírita Brasileira. Os Espíritas, ao manterem essa postura, previnem-se contra o equívoco de Judas, que, pela sua ambição política, a pretexto de acelerar a vitória do Evangelho, levou o Cristo a morrer na cruz.

Por isso mesmo, precisamos evitar o estabelecimento de um governo teocrático, administrado por religiosos, por não ser nada saudável colocar Deus no centro da política, como justificativa para se cometer uma série de arbitrariedades em nome Dele, como no Afeganistão. Finalmente, repito o que disse certa feita: Deus não sobe em palanques!

Gerson Simões Monteiro é vice-presidente da Fundação Cristã-Espírita C. Paulo de Tarso (Funtarso)

Extraído da coluna “Em nome de Deus”, publicado em 18/07/10 no jornal Extra e no site Extra Online.

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