Emmanuel no livro "Justiça Divina" escreve uma entre tantas mensagens que tem por título "Palavras de Esperança". É um texto simples e conciso. E de bela profundidade. Talvez seja pela palavra sensível e séria que achemos isso. Mas com certeza, será melhor entendido por todos aqueles, que de uma forma ou de outra, encontram em seu sentimento eco das palavras do espírito amigo. É um pai/mãe que se despede de repente para a jornada de mais além, é um avô/avó muito queridos que se vão pelo avançado do tempo que lhes consome o corpo perecível. É o companheiro/companheira de jornada familiar, o amigo/amiga das tarefas de trabalho mundano, é o irmão/irmã de ideal espírita que temos que acompanhar o sepultamento do corpo físico que guarda a sua última impressão terrena... o que seria de nós sem a fé espírita nesses momentos?
Não digo daqueles que de tudo duvidam. Mas falo de nós espíritas, cujo sentimento oprimido se derrama em justas lágrimas da saudade, mas que a fé na realidade do espírito não permite que levemos ao desespero, nem ao desequilíbrio sombrio. O que seria de nós? Como em tantos momentos, o momento do reajuste de contas com a providência será necessário a cada um de nós em seu justo tempo. Mas enquanto aguardamos a força das coisas, pensemos na mensagem tão esclarecida de Emmanuel:
"Se não admites a sobrevivência após a morte, interroga aqueles que viram partir os entes mais caros.
Inquire os que afagaram as mãos geladas de pais afetuosos, nos últimos instantes do corpo físico; sonda a opinião das viúvas que abraçaram os esposos, na longa despedida, derramando as agonias do coração, no silêncio das lágrimas; informa-te com os homens sensíveis que sustentaram nos braços as companheiras emudecidas, tentando, em vão, renovar-lhes o hálito na hora extrema; procura a palavra das mães que fecharam os olhos dos próprios filhos, tombados inertes, nas primaveras da juventude ou nos brincos da infância... Pergunta aos que carregaram um esquife, como quem sepulta sonhos e aspirações no gelo do desalento, e indaga dos que choram sozinhos, junto às cinzas de um túmulo, perguntando por que...?
Eles sabem, por intuição, que os mortos vivem, e reconhecem que, apenas por amor deles, continuam igualmente a viver.
Sentem-lhes a presença, no caminho solitário em que jornadeiam, escutam-lhes a voz inarticulada com os ouvidos no pensamento e prosseguem lutando e trabalhando simplesmente por esperarem os supremos regozijos do reencontro.
***
Se um dia tiveres fome de maior esperança, não temas, assim, rogar a inspiração e assistência dos corações amados que te precederam na grande viagem. Estarão contigo, a sustentarem-te as energias, nas tarefas humanas, quais estrelas no céu noturno da saudade, a fim de que saibas aguardar, pacientemente, as luzes da alva.
Busca-lhes o clarão do amor, nas asas da prece, e, se nos templos veneráveis do Cristianismo, alguém te fala de Moisés, reprimindo as invocações abusivas de um povo desesperado, lembra-te de Jesus, ao regressar do sepulcro para a intimidade dos amigos desfalecentes, exclamando, em transportes de júbilo: "A paz esteja convosco."
Texto enviado por Aglae Moura
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